Com o corre corre de São Paulo, ter uma segunda casa na cidade tornou-se uma opção para quem busca sossego, privacidade e não quer perder tempo em deslocamentos.

COMO NA PRAIA

A necessidade de um refúgio para relaxar ou trabalhar e o esgotamento com o trânsito caótico têm levado alguns paulistanos a manter dois lares na cidade, muitas vezes até na mesma região. A prática tem se mostrado eficiente e ainda é um bom investimento, garantem os proprietários.

A consultora de moda Glória Kalil optou por uma segunda casa a poucos quilômetros do apartamento onde mora exclusivamente para lazer. “Estava com vontade de ter um jardim e uma aguinha por perto. Achamos melhor fazer uma casa de praia por aqui mesmo”, diz. Projetada por Angelo Bucci, da SPBR Arquitetos, a casa é o destino de Glória nos fins de semana. “Vou toda sexta-feira. Levo comidinhas, frutas, roupas e coisas que eu vá precisar na cozinha”, diz.

Com um terreno de 269 metros quadrados e 183 metros quadrados de área construída distribuída em três pavimentos, o espaço foi pensado como se fosse um clube. O nível do solo ficou totalmente aberto, com cozinha gourmet e um living integrado ao jardim. É lá que Glória gosta de ficar nos dias de muito calor, pois é bem fresquinho. O andar intermediário é o único fechado por paredes. Lá estão o apartamento do caseiro, a ala íntima e um terraço com horta de ervas, onde Glória busca sossego. Já na cobertura, a 6 metros do solo, estão a piscina e o solário. A escolha da localização, no Jardim Paulistano, entre os shoppings Iguatemi e Eldorado, levou em conta a praticidade: “Posso ir ao cinema a pé!”, comemora.

CANTO PARTICULAR

Já para a figurinista, cenógrafa e artista plástica Paola Biganti, moradora dos Jardins, o segundo lar aconteceu casualmente. Quando resolveu morar com o namorado, decidiu manter o seu apartamento de solteira – onde funcionava também seu ateliê e escritório – para ter privacidade e momentos mais calmos para trabalhar, já que o companheiro tem dois filhos adolescentes, que hoje moram com o casal.

A apenas sete quadras de distância de sua residência, o apartamento de Paola tem 80 metros quadrados e é decorado com móveis dos anos de 1950, herança de família. O espaço funciona também como uma espécie de galeria, onde ela expõe suas obras, os quadros do pai, o caricaturista Edmondo Biganti, e do tio, o artista plástico Alberto Biganti. No fim do dia, ela volta para a casa da família, a pé, sem estresse com o trânsito.

PERSONALIDADE

Quando comprou na planta o apartamento de 90 metros quadrados nos Jardins, a apenas oito quadras do local onde mora com a mulher e o filho, o arquiteto João Mansur tinha a intenção apenas de fazer um bom investimento. Mas o dúplex com características de loft, pé-direito duplo, grandes janelões de correr e lareira acabou se tornando um prolongamento da moradia da família, um espaço para trabalho, leitura, filmes, e até para receber amigos em pequenos jantares. “Somos extremamente urbanos e não temos casas de praia ou de campo, assim optamos por usar o apartamento mais nos fins de semana”, diz Mansur.

Uma pequena reforma imprimiu ao loft a personalidade do arquiteto. “Fiz algumas modificações arquitetônicas e substituí revestimentos para que pudesse trazer obras de arte e móveis do meu acervo, além dos mais de mil livros que estavam espalhados entre meu escritório, meu apartamento e um depósito”, conta. A decoração tem peças garimpadas por ele ao longo da vida: cadeiras estilo diretório da década de 1940, da parisiense Maison Jansen, poltronas assinadas Luís XV, de madeira patinada a ouro e estofadas com cetim de seda, mesinhas chinesas de centro do século 19 são alguns dos itens.

O quarto, que fica no mezanino, recebeu o mesmo tratamento, ganhando uma cama de couro, escrivaninha chinesa de madeira Elm do século 19, cadeiras de alpaca indianas, entre outras peças. Sua coleção engloba obras de arte de peso como a aquarela de Cícero Dias, o portrait da Escola Francesa do século 18, e a composição de Marilyn de Andy Warhol. Além de ser um espaço de lazer para a família, o apartamento também é usado para receber hóspedes do Brasil e do exterior, como o sobrinho de Mansur que está passando uma temporada em São Paulo.

QUARTO AQUECIDO

Com uma intensa rotina de trabalho aos 82 anos, o advogado Modesto Carvalhosa não abre mão de seu momento de descanso no meio do dia. Após o almoço, ele se recolhe para recuperar as energias com a sesta. O trânsito de São Paulo tornou inviável a possibilidade de almoçar e descansar em casa todos os dias, mesmo morando no perto do seu escritório. A solução foi alugar um apartamento – alguns anos depois ele comprou o atual no mesmo prédio – a apenas uma quadra do trabalho. Com área de 200 metros quadrados, o apartamento passou por uma pequena reforma e foi mobiliado com peças antigas da família, como o sofá Vico Magistretti, da italiana Cassina, as poltronas e a chaise Le Corbusier e as mesas Saarinen. Um dos quartos foi transformado em biblioteca e abriga o piano, que Modesto ainda toca. O segundo cômodo é para hóspedes, e o terceiro é o seu recanto para a sesta, montado com uma mobília em estilo art déco.

O advogado frequenta a segunda casa diariamente na hora do almoço. “Venho almoçar com minha mulher, meu genro e meu filho”, conta. E à noite volta para a tranquilidade do lar. Carvalhosa contratou uma empregada mensalista que limpa, cozinha e, no inverno, deixa o quarto aquecido para a soneca restauradora. Numa época em que o tempo é o artigo de luxo mais desejado, lado a lado com o sossego, a segunda morada na mesma cidade parece ser uma bela solução.

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