Um marco dos anos 50

Um marco dos anos 50

Lançado em 1952 com um projeto ambicioso que previa hotel, restaurante, teatro e muito verde, o Copan só foi levantado cinco anos depois. Mesmo assim, virou cartão-postal.

A primeira curva do projeto criado para o centro de São Paulo por Oscar Niemeyer não foi feita de concreto.
Para sair do papel, as linhas sinuosas do edifício Copan tiveram de se dobrar à realidade do mercado imobiliário.
Encomendado pela Companhia Pan- América de Hotéis e Turismo, o “Maciço Turístico Copan” previa, além da ala residencial, realizações ambiciosas como um hotel com 600 suítes no edifício em frente, teatro e jardins internos. Como a Pan-América nunca conseguiu tocar o imponente projeto, só em 1957, cinco anos após esse anúncio na Folha da Manhã, ele foi levantado pelo Bradesco, já com muitas alterações. O banco se instalou onde seria o hotel. Deixaram de ser feitos restaurante, teatro e área verde.
As plantas dos blocos E e F foram modificadas.
Apartamentos de até quatro quartos viraram quitinetes e apartamentos de um quarto.
Os 130 mil metros quadrados de área construída do Copan abrigam hoje mais de 5 mil moradores, em seus 1.160 apartamentos. No bloco A estão os de dois quartos; nos C e D, apartamentos de três quartos, que podem chegar a 350 metros quadrados. Os mais charmosos certamente são os voltados para a frente do edifício, que nos andares mais altos oferece uma vista única da cidade,através das paredes de vidro emolduradas pelo imenso brise-soleil. A célebre fachada, por sinal, está em processo de tombamento prometido para este ano.

Moradores Ilustres

Ao longo do tempo, o abandono e a decadência do Centro também foram sentidos no Copan. As vinte quitinetes de 26 metros quadrados de cada andar do bloco B foram tomadas por festas, tráfico e prostituição, até a chegada do atual síndico, que há dez anos trabalha pela ordem no edifício e vem se tornando modelo de administração. O Copan, porém, nunca se rendeu aos seus próprios problemas. A diversidade idealizada no projeto inicial se manteve em todas as fases com moradores como Di Cavalcanti e sua mulher, Noêmia Mourão, o ator Paulo Autran, o cantor Cauby Peixoto e o dramaturgo Plínio Marcos. Do Copan não saem, ainda hoje, pessoas como Pedro Herz, dono da Livraria Cultura, ou Claudie Monteil, proprietária da Livraria Francesa, além de jovens estudantes, arquitetos, artistas, escritores e cineastas. O Copan é cult. 
Não é à toa que, com preços para diferentes bolsos (aluguéis em torno de R$ 250 a R$ 1 mil, e condomínios de R$ 120 a R$ 400), tem fila de interessados e é cada vez mais caro ter um cantinho no cartão-postal da cidade.
Os anos fizeram do antigo cinema uma igreja Renascer em Cristo. Da galeria térrea, centro comercial com salões de beleza, alfaiataria, lavanderia, locadora, despachante e imobiliária, além de restaurantes, bares e o mais antigo café, há 33 anos no local. Com um pouco de fantasia, não é difícil imaginar ali lojas 24 horas, livrarias, espaços gastronômicos e, quem sabe, o velho cinema desenhado por Oscar Niemeyer entre ondas de concreto. E que o Copan seja, ainda que com menos glamour, mas cheio de graça, um Leblon paulistano.

 

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