Como em Nova Iorque

Como em Nova Iorque

Tom Jobim, Dorival Caymmi, João Gilberto, Etta James, Buddy Guy e Paquito de Rivera foram alguns dos nomes que se apresentaram no 150 Night Club, inaugurado em 1981, no hotel Maksoud Plaza. Com capacidade para 200 pessoas e clima intimista, o lugar apostava em um repertório eclético que transitava pela bossa nova, MPB, jazz e blues. A ideia de abrir a casa aos moldes dos clubes de Nova York partiu de Roberto Maksoud, gerente do hotel e filho de Henry Maksoud (1929-2014), proprietário do cinco estrelas. Dono de uma vasta discoteca particular, Roberto contava com a ajuda de consultores como o crítico e produtor Armando Aflalo e do musicólogo Zuza Homem de Mello, para definir a programação. “Nosso mantra era sempre levar ao público shows de altíssima qualidade”, diz Cesar Castanho, produtor musical do 150 entre 1981 e 1986. Logo o espaço se tornaria ponto de encontro de políticos, artistas e amantes da boa música que se aboletavam ali para conferir não apenas apresentações de estrelas convidadas, como também da orquestra fixa com 18 integrantes. Entre os habitués estava o escritor Ruy Castro, que no livro Tempestade de ritmos conta da vez em que uma das baquetas da bateria do multi-instrumentista americano Lionel Hampton foi parar a seus pés e ele se escafedeu do clube levando o troféu dentro do paletó, para desespero do músico. Em 1981, o mito Frank Sinatra se apresentou no Maksoud Plaza – mas o show foi no teatro, não no 150. De acordo com Castanho, houve um momento em que Henry Maksoud quis popularizar a programação para atrair novos clientes, o que teria levado ao fechamento do clube em 1987. “Foi o início do fim.”

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