SMALL IS BEAUTIFUL

SMALL IS BEAUTIFUL

Para se moldar ao perfil dos novos donos, três antigos apartamentos paulistanos passaram por reformas radicais. Com menos paredes, eles ganharam espaços maiores e mais dinâmicos.

Estilo próprio | 110 m2

Quando a designer Mikha Seddig Jorge coloca uma ideia na cabeça, ela não desiste até torná-la realidade. Foi assim com o apartamento onde mora. Um dia o namorado lhe mostrou o prédio, construído em 1945, em Pinheiros. Mesmo não tendo nenhuma placa de vende-se, Mikha soube pelo zelador que um dos apartamentos estava fechado havia seis anos por problemas de herança. Persistente, conseguiu entrar no imóvel e aí foi paixão à primeira vista. “A varanda aberta, a cozinha enorme, o pé-direito alto. Era tudo o que eu queria. O apartamento tinha que ser meu”, lembra. Depois de meses negociando com os proprietários, finalmente ela comprou o imóvel e passou mais outros meses comandando a reforma. “Ele estava em péssimo estado, com infiltração nas paredes e revestimentos faltando. Além disso, resolvi eliminar um quarto para aumentar a sala e remanejar os banheiros”, explica. Com tudo pronto, Mikha foi atrás da decoração. Fã de peças vintage, seu roteiro incluiu lojas de móveis antigos e algumas peças herdadas da avó. “O apartamento é o reflexo de quem sou”, diz Mikha.

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Morar com liberdade | 83 m2

Demorou um ano até que o arquiteto Vinícius Mazzoni e sua namorada, Fabiana, encontrassem o apartamento ideal para morar juntos. “Procurávamos um lugar que desse para adaptar ao nosso estilo de vida despojado”, explica ele. A busca terminou em 2010. “Achamos este apartamento de 35 anos, totalmente detonado. O que para mim foi um alívio porque pude demolir a maior parte das paredes sem nenhum remorso”, conta Vinícius, que teve a ajuda da equipe de seu escritório, FMB Arquitetos. Para aumentar o tamanho da sala, Vinícius abriu a cozinha e um dos quartos. O outro dormitório permaneceu, mas uma grande porta de correr, quando aberta, também o torna parte do living: “Dessa forma, a TV, que gira num tubo metálico, pode ser assistida da cama ou do sofá”. Adepto de uma arquitetura mais neutra, o casal optou por paredes em tons de cinza, feitos com pintura ou com ripas de concreto. Móveis e tecidos coloridos garantem a alegria visual dos ambientes. Já os ladrilhos hidráulicos do chão da cozinha são novos. “O desenho antiguinho disfarça a pouca idade. Todo mundo acha que eles sempre estiveram por aqui”, se diverte Vinícius.

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O imóvel é repleto de itens criativos como a cadeira feita de pneus.

No quarto do casal, a parede de cabeceira da cama ganhou tratamento especial: formas de madeira foram preenchidas de concreto e geraram essas ripas de textura rústica.

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O tubo metálico permite que a TV gire e possa ser vista de todos os ambientes.

Horizonte aberto | 113 m2

Apaixonado pela arquitetura do prédio construído na década de 1940, em Higienópolis, o jornalista e sociólogo Flávio Moura resolveu alugar um apartamento ali até que alguém decidisse vender alguma unidade. Depois de esperar por quatro anos, ele conseguiu o que queria, mas antes de mudar chamou os amigos arquitetos Eduardo Chalabi e Paula Zemel.

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Feliz com as vigas e os pilares aparentes do projeto, Flávio encomendou aos arquitetos duas bancadas de concreto e a estante com prateleiras para abrigar sua farta biblioteca.

“Eu queria abrir o máximo possível os ambientes e eles conheciam bem o potencial do apartamento, pois já tinham feito outras reformas no edifício”, conta. As paredes caíram e surgiram as robustas estruturas de concreto bruto. Flávio adorou e pediu que todas as vigas e pilares ficassem aparentes em seu estado original. O piso de tacos também foi mantido e assim surgiu o espaço tão desejado pelo morador. Faltava agora decorar. “Inspirado pela proposta brutalista do projeto pedi que os arquitetos desenhassem uma grande estante de concreto e também duas bancadas: uma para a cozinha e outra para o canto de trabalho”, Flávio explica. “Tudo isso convive no mesmo ambiente, resultando numa elegante unidade visual.” Pinceladas de cor de vinho amenizam a seriedade do cinza dominante. As grandes janelas do apartamento, localizado no quarto andar, têm vista para as copas das árvores e trazem uma paisagem tranquila para dentro de casa.

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Um laminado plástico cor de vinho reveste o móvel da cozinha. O mesmo tom serviu de referência para pintar a parede dos fundos da estante e a tubulação aparente.

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