Na Medida de Cada Momento

Na Medida de Cada Momento

Felipe Diniz, que largou a administração para seguir a arquitetura, adora projetar as casas em que mora de acordo com o tipo de rotina que quer levar em cada fase da sua vida.

Ele já morou em diversos endereços nos últimos 20 anos. Todos na capital paulista, com exceção de uma breve temporada no Arpoador, no Rio de Janeiro. Mas, desde 2006, o arquiteto Felipe Diniz, 47 anos, vive numa grande casa de esquina, no Jardim Europa. “Escolhi o terreno pela localização, derrubei a casa que tinha aqui e trouxe outro conceito para o lugar”, conta. Mesmo feliz com o seu recanto, Diniz vai mudar novamente. Anda encantado com o projeto do apartamento que comprou na alameda Casa Branca, nos Jardins, para onde deve ir em dezembro. Eternamente insatisfeito? Claro que não. Diniz adora escolher o melhor endereço para o tipo de rotina que quer levar em cada fase da vida e, como bom arquiteto que é, gosta de desenhar e construir o espaço perfeito para comportar seu dia a dia, sempre rodeado dos filhos – Pedro, 18 anos, e João, 16 – e dos amigos. “Adoro receber e ter gente querida em casa”, diz.
É por isso que, seja qual for seu CEP residencial, o filho do jogador de polo e um dos herdeiros do grupo Pão de Açúcar, Alcides Diniz, com Renata Scarpa, gosta de pensar os projetos de suas casas divididos em duas partes: uma área íntima confortável para a família e outra para o social, com ambientes abertos e integrados.

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"Arte eu não compro pensando na decoração. Compro o que gosto, depois vejo onde coloco"

Diniz gosta muito de receber amigos para um dia de sol na piscina ou para jantares mais formais, como os beneficentes que promoveu em prol da amFar (American Foundation for Aids Reserch) e para o Instituto Ingo Hoffman (que abriga crianças sob tratamento de câncer na região da Unicamp). “Com esses blocos integrados, que unem a sala de estar com a de jantar, cozinha e varanda, todo mundo pode conversar com todo mundo, circulando dentro e fora da casa. Detesto casa cheia de salinhas fechadas”, explica. O resultado é uma “casa gostosa para ser usada”, como ele define, com forte influência mexicana, casada com a arquitetura contemporânea. Na varanda, Diniz combinou jogos de mesa, bancos e cadeiras de madeira rústica ao redor da lareira, “que torna aconchegantes as noites mais frias de São Paulo”. Amplas portas de correr emolduram a vista do jardim para o interior, onde se estende o living, de pé direito alto, e a sala de jantar, com forro de madeira de demolição arrematado em uma fazenda em Minas Gerais – assim como boa parte do piso dos 900 metros quadrados da construção. Duas colunas, também de demolição, delimitam a sala de jantar e completam o mix de peças antigas e contemporâneas, sem que nada sobressaia além da medida. Tudo garimpado pessoalmente, como as obras de arte contemporânea.

“Arte eu não compro pensando na decoração. Compro o que gosto, depois vejo onde coloco.” Entre as obras que estão no living, um quadro de Ana Maria Tavares, exposto na Bienal de 1998, que brinca graficamente com marcas de remédio. No mesmo salão, o arquiteto tem também um dos primeiros quadros da série de chocolate de Vik Muniz, entre outras imagens de impacto de João Wainer e Caio Heisen West, um skate grafitado de Jason Martin e a obra de Jack Schiff inspirada em quadrinhos, um presente da irmã, Carola Diniz. Em um pilar, se destaca a elegante escultura de Brecheret herdada do pai, que morreu em 2006.

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Extensos sofás, um Minotti e outro Cassina, espelham dois ambientes de estar, convidativos para os longos bate-papos que Felipe Diniz adora. De um lado, uma poltrona Jacaré, da série de pelúcias dos Irmãos Campana, e, de outro, um par de pufes que garimpou em brechó com cadeiras de design assinado. Tudo com vista para o jardim de jabuticabeiras, sibipirunas, ipês e jacarandás, com folhagens expressivas, como a costela-de-adão, que dão a impressão de vegetação nativa. “Não tinha nenhuma árvore aqui, acredita?”, diz o arquiteto.

VIDA SIMPLES

No futuro endereço, Felipe planeja inaugurar uma nova fase, de “uma vida mais simples, em um lugar fácil de manter e limpar”. “Não tenho mais tempo de cuidar de tanta coisa. Agora, quero só o essencial para viver bem”, explica. Estilo de viver mais simples que Diniz já vem ensaiando na casa atual. Dali, ele gosta de fazer tudo a pé ou de bicicleta. “Só pego carro quando tenho de subir para a avenida Paulista.”

O arquiteto bem que tentou não contrariar a família seguindo a carreira em administração, chegou a trabalhar no banco Icatu e no grupo Pão de Açúcar, mas, em
2000, assumiu a vocação e ingressou no curso de arquitetura da Faculdade Belas Artes. O que demonstra que Felipe Diniz não tem medo de mudanças. Por isso, até segunda ordem, a casa onde vive atualmente está à venda. Desapego total? Também não. “A verdade é que, se eu pudesse, ficava com todas as casas que fiz para mim. Mas já imaginou o custo para manter tudo isso?” Fato é que a vida mudou. Os filhos cresceram e também estão de mudança.

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