SMALL IS BEAUTIFUL

Sem medo de mudar, três charmosos espaços paulistanos mostram como se transformaram em lugares mais inspiradores para viver e receber os amigos.

Atmosfera vintage | 140 m2

Foi durante uma de suas caminhadas matinais pelas ruas do bairro Pinheiros, em São Paulo, que o produtor cultural Sergio Escamilla encontrou a casa onde mora há cerca de um ano. “Quando vi a placa de vende-se no sobrado, corri para fechar o negócio”, lembra. E, com ajuda da arquiteta Ana Luiza Almeida Prado Sawaia, o charmoso imóvel construído em 1939 por uma família portuguesa foi restaurado, conservando seus traços arquitetônicos. “A ideia era mantê-lo o mais próximo do original, mas não foi possível recuperar tudo.” Caso do tapete de ladrilhos hidráulicos do hall, que colore a entrada da casa. “Eles estavam muito danificados e optamos por encomendar cópias semelhantes às peças de época”, conta Ana Luiza. “Ficou perfeito.” Outra interferência foi a construção de um anexo nos fundos do terreno. “As casas erguidas na década de 1930 tinham salas muito pequenas”, diz Sergio. “Como não queria alterar a configuração dos ambientes, pedi para Ana Luiza criar do lado de fora da construção principal um living espaçoso para receber os amigos com conforto.” O novo espaço de 10 metros quadrados conta com paredes pintadas de branco, piso de placas cimentícias e forro com pergolado de cumaru. Uma simplicidade que dialoga com a decoração minimalista, composta de móveis contemporâneos que não escondem a influência de décadas passadas. “Minha casa tem uma atmosfera vintage”, resume Sergio.

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O rasgo na parede do living construído nos fundos do terreno revela os tijolos da estrutura original. Sobre as ripas de madeira do forro foi instalado um toldo retrátil de lona, que se recolhe nos dias quentes e transforma a sala em varanda.

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Sergio escolheu móveis com referências do passado, como as cadeiras no alto, compradas em uma liquidação, e o sofá , desenhado por Fernando Jaeger. Acima, o tapete de ladrilhos hidráulicos confere charme antigo ao hall.

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Maquiagem definitiva | 70 m2

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Tábuas de pínus dispostas na horizontal em portas e armários e o painel espelhado no home theater garantem amplitude visual ao apartamento que a arquiteta Cinthia Liberatori (abaixo) divide com os dois filhos pequenos.

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Há pouco mais de um ano, a arquiteta Cinthia Liberatori saiu à procura de um lugar pequeno para morar provisoriamente com os filhos, Felipe, 8 anos, e Pedro, 12, até encontrar o imóvel ideal para receber a família. Não demorou para achar este apartamento no bairro Alto de Pinheiros, já decorado e pronto para mudar. “Gostei do espaço, mas a ambientação não tinha nada a ver comigo”, conta. O resultado é que em apenas 45 dias o apartamento mudou completamente de visual: a parede que separava a sala da cozinha sumiu e em outro canto do living surgiu uma divisória de madeira para delimitar o quarto das crianças. Para reforçar a sensação de amplitude, Cinthia forrou portas e armários com tábuas de pínus dispostas no sentido horizontal, e um painel espelhado passou a ocupar toda a extensão da parede do home theather. No quarto dos filhos, a opção foi pela praticidade com cores claras e móveis de linhas retas que não acumulam poeira. “Hoje, questiono se quero mesmo sair daqui, pois vai ser difícil encontrar outro apartamento tão aconchegante”, revela Cinthia.

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No quarto de Cinthia, o guarda-roupa funciona também como estante de apoio à cama. O Santo Antônio barroco fica sobre um móvel estreito para guardar sapatos. E o armário organiza todos os itens da cozinha integrada à sala.

Toque lúdico | 140m²

Um ano antes de trocar Barcelona por São Paulo, o casal de arquitetos brasileiros Manoela Muniz Machado e Pedro Paes Lira já havia escolhido o imóvel onde iriam morar: um apartamento da década de 1950, no bairro Higienópolis, que nunca havia sido reformado. “Com a reforma aproveitamos para modernizar tudo, da parte elétrica e hidráulica à disposição dos ambientes”, explica Manoela. No caso, as alterações nas configurações dos ambientes tinham como meta preparar o espaço para receber os móveis que o casal arrematou ao longo do tempo e conseguiu trazer na bagagem. Assim, o living ganhou amplitude para exibir uma seleção de objetos queridos pelos moradores, a exemplo da estante de formas orgânicas do designer israelense Ron Arad ou então do sofá assinado pelo italiano Piero Lissoni. “Adoramos esse móvel articulável: podemos desmembrá-lo e espalhar os assentos pela casa na hora de acomodar melhor as visitas ou juntá-lo em um canto para liberar espaço quando nosso filho quer brincar na sala”, conta Manoela, mãe de Nuno, 8 meses. Do imóvel antigo só restaram as louças sanitárias. Amarelas, elas conquistaram os moradores, que decidiram alegrar os banheiros usando o mesmo tom nas paredes.

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As paredes do hall de entrada, cobertas de papel de parede da marca finlandesa Marimekko, emolduram a sala de jantar com cadeiras do casal Ray e Charles Eames. Ao lado, o cavalo de brinquedo, garimpado em antiquário, é presente do avô paterno para o pequeno Nuno, filho do casal. 

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