Vive La Révolution

Vive La Révolution

Consulesa da França em São Paulo e ex-apresentadora de tevê, Alexandra Loras conquista os convidados das recepções em sua casa – projetada por Sergio Bernardes – com seu estilo despojado e moderno.

Quando recebeu a notícia de que se mudaria para o Brasil, ao lado do marido, Damien Loras, Alexandra parou e respirou duas vezes. O ano era 2012 e Damien tinha sido nomeado cônsul-geral da França em São Paulo. Não foi preciso muito tempo para que a primeira sensação desse lugar ao espírito aventureiro da consulesa, que deixou a família, os amigos e o trabalho em Paris para encarar os altos e baixos da capital paulista. Nos primeiros dias de sua nova rotina paulistana, lançou mão de uma tática pessoal para conhecer uma nova cidade: pegou um ônibus e seguiu até o ponto final. “Como o ônibus é mais alto do que um carro, temos uma visão melhor.

Dá para sentir o cheiro do local, ouvir as conversas das pessoas, perceber realmente como é a sociedade”, explica. Ela, que já morou em oito países e fala várias línguas, logo se sentiu em casa.
Filha de mãe francesa e de pai nascido na Gâmbia, a jornalista Alexandra Baldeh Loras, 36 anos, nasceu em Paris, mas passou temporadas em países tão diferentes quanto Alemanha, México e Suécia para aprender línguas e novas culturas, até fixar residência na capital da França. Lá, comandou um programa de música na televisão francesa e conheceu Damien, com quem teve Raphael, hoje com 1 ano e 8 meses. Há dois anos, a família vive em uma casa de 2 mil metros quadrados projetada pelo arquiteto Sergio Bernardes** no Jardim Europa, adquirida pela França em 1989, para ser a morada do cônsul. É ali que eles costumam oferecer grandes recepções: desde a chegada, já receberam mais de 3 mil convidados. “Este é nosso dever, mas, sobretudo, gostamos de compartilhar os encantos desta casa, no coração do Jardim Europa, com brasileiros e franceses”, garante ela, que se identifica com a residência consular. “É uma casa moderna, despojada e aconchegante. Perfeita para receber.” O mix de convidados é feito com todo o cuidado por Alexandra. “Para mim, há o mesmo prazer em conversar com as pessoas no programa que eu comandava, para falar de música e política, ou aqui. Todo mundo tem uma história bacana para contar.”

POR AÍ

Enquanto Damien vai todos os dias ao consulado, que fica na avenida Paulista, Alexandra, que também é presidenta das consulesas de São Paulo, precisa organizar as visitas sociais, e, por isso, tem de conhecer bem a cidade. Quando recepciona as embaixatrizes, gosta de levá-las ao Ibirapuera, à Oca, ao Pátio do Colégio e ao Masp, e ainda inclui nos passeios o Beco do Batman, conjunto de ruelas na Vila Madalena com muitos grafites. “Gosto muito de street art, pop art e contemporânea”, afirma. Na região do Jardim Europa, onde mora, ela curte mesmo é caminhar e andar de bicicleta.

A cada quatro anos, uma nova família ocupa a residência consular. Por ali, móveis e objetos que fazem parte do acervo do governo se misturam aos que foram trazidos por Alexandra e Damien, como a poltrona de couro comprada em um mercado de pulgas no bairro onde ela cresceu, Porte de Clignancourt, e o quadro que ganhou de amigos, um retrato dela inspirado na pintura de Marie d’Agoult, por Jean-Auguste-Dominique Ingres. Além, é claro, dos muitos brinquedos do pequeno Raphael. “Ficamos mais na parte privada, no andar superior. Meu filho circula com toda a liberdade e aproveitamos muito o terraço”, diz a consulesa. “O mais engraçado é que morávamos em um apartamento de 100 metros quadrados, o que é muito para Paris, hein? Sei que vou voltar a morar em um espaço pequeno, por isso acho um privilégio estar aqui.”

O casal deverá deixar o Brasil em 2016, mas Alexandra vai levar, além de obras de artistas brasileiros, um filho cheio de costumes locais. “Aqui em casa, faço questão de comer comida francesa e passei para nossa chef minhas receitas favoritas. Mas Raphaelgosta mesmo é de arroz, feijão e ovo”, afirma, divertida. Ela diz que agora está apaixonada pelo país. “O Brasil me despertou. Aqui, posso desenvolver minha espiritualidade e conversar sobre religião com qualquer pessoa, ao contrário da França, em que o tema é um tabu. Depois de alguns meses, percebi que os brasileiros vivem o presente e são felizes com o que têm.”

OLHAR ESTRANGEIRO

COM O OLHAR ATENTO DE FRANCESA QUE JÁ VIVEU EM MUITAS CIDADES, ALEXANDRA LISTA SEUS LOCAIS PREFERIDOS EM SÃO PAULO E ARREDORES

1 “Adoro bater perna pelas ruas Lorena e Oscar Freire, onde há lojas lindas e bons restaurantes.”

2 “Gosto de comer no terraço do restaurante Chez Oscar, local super agradável, dos mesmos donos do Chez Mis.”

3 “Outro local que recomendo é o Tartar & Co., do nosso conterrâneo Erick Jacquin. Pelas paredes do restaurante é possível ver o traço do artista Regis – R, o mesmo que fez o teto de nossa varanda.”

4 “Nos fins de semana gostamos de ir até O Velhão, na Serra da Cantareira. Me encanta aquela estética boho chic, terraço com estátuas e comida caseira.”

5 “O Santa Luzia é o lugar para comprar produtos franceses e fica perto de casa.”

6 “Visito sempre as lojas Gloria Coelho e Max Mara e gosto de dar de presente os foulards, lenços de seda, feitos pela Paola de Orleans e Bragança.”

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