Pequenos Refúgios, grandes prazeres

Pequenos Refúgios, grandes prazeres

Casas de campo ou de praia pequenas, mas com localização privilegiada, áreas multifuncionais e integradas com o entorno ganham cada vez mais espaço em meio a natureza.

Na segunda casa, de praia ou campo, elegância é ter conforto, vista, terreno e principalmente não impactar o entorno. “Less is more”, já defendia Ludwig mies van
der Rohe (1886-1969), arquiteto alemão naturalizado americano e seguidor do movimento Bauhaus. Moradas com pequenas áreas de construção, mas com localização privilegiada, áreas multifuncionais, integradas com o exterior e sustentáveis, têm se tornado cada vez mais atraentes.

Mas uma das principais causas da transformação dos projetos é o esgotamento dos recursos naturais, que já em 1968 era considerado inevitável pelo arquiteto americano Buckminster Fuller (1895-1983), autor de Manual de operações para o planeta Terra. Quase 30 anos depois, o arquiteto Richard Rogers ficou célebre por defender que “o conceito de desenvolvimento sustentável está na redefinição da riqueza para incluir o capital natural: ar limpo, água potável, camada de ozônio efetiva, sem poluição, terra fértil e abundante diversidade de espécies”. Não por acaso, essa é a perspectiva do movimento “Small Houses”, surgido nos Estados Unidos no início dos anos 2000, quase 40 anos após as previsões do visionário Buckminster, que defende a vida simples em casas menores, com adeptos mundo afora. Por aqui, a relação saudável com a natureza também começa a ganhar valor.

Como consequência do novo estilo de vida, a divisão dos espaços está cada vez mais em desuso. Plantas flexíveis com ambientes integrados e multifuncionais
conectados com o exterior resultam em construções compactas e funcionais. As áreas privativas são reduzidas em benefício de áreas coletivas generosas. Prova disso são as fotos que ilustram essas páginas, da pequena casa pré-fabricada do escritório MAPA, seguidas de outros dois projetos conectados com a vida lá fora.

MENOS É MAIS

Instalada à beira de uma lagoa na Fazenda Pontal, em Maquiné (RS), a cabana de 23 metros quadrados foi produzida industrialmente com o novo sistema pré-fabricado MINIMOD, desenvolvido pelos arquitetos Silvio Machado e Mauricio López, sócios do escritório MAPA. Transportada por caminhão, a construção chegou pronta e, em 60 dias, estava aberta aos hóspedes da fazenda, no ano passado. O projeto foi desenvolvido com módulos de 2,40 x 2,40 m, que se compõem e adaptam a diversos tipos de uso. “É uma ideia ambiental e artística. A casa pode ser adequada, remontada e expandida”, afirma Silvio. Os quatro módulos são fechados com placas de compensado de pinus, pintadas por fora. Por dentro, a minicasa integra quarto, closet, sala e cozinha. Sua única parede divisória embute sistema hidráulico e delimita o banheiro, que possui porta de correr. Portões basculantes, que viram marquises quando abertos, ampliam a área coberta para 26 metros quadrados, unindo o espaço ao entorno. Portas de correr envidraçadas protegem e fazem conexão com o exterior.
A fachada perfurada permite o jogo de luz e sombra no interior, além de filtrar a claridade da casa. Por fim, a iluminação artificial do sistema MINIMOD é feita com econômicas lâmpadas de LED. O telhado verde devolve à natureza a superfície do solo que foi tomada pela morada, com a intenção de manter o equilíbrio do ambiente. “Diminuir a área do projeto não significa reduzir conforto e praticidade”, garante o arquiteto.

EU QUERO UMA CASA NO CAMPO

As casas Villas Fasano foram projetadas pelo arquiteto Isay Weinfeld em um condomínio na Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz (SP), vizinhas ao Hotel Fasano. São cerca de 45 residências que ocupam três quarteirões do condomínio, distribuídas em duas filas, separadas por um imenso gramado com cerca de 300 metros de largura, sem cercas nem muros, com paisagismo assinado por Maria João D’Orey. O jornalista e colunista social César Giobbi faz parte da turma que escolheu o local para passar os fins de semana, em busca de paz e natureza. “O que me animou foi a possibilidade de receber a casa pronta”, conta Giobbi. De arquitetura simples, a casa tem 460 metros quadrados com dois pavimentos, e combina materiais naturais e rústicos, como tijolo, estuque e madeira. A área social no térreo abre-se para a varanda por uma imensa janela de correr envidraçada que está totalmente integrada a um jardim com cerca de mil metros quadrados, área comum do condomínio. “Tirando o vizinho do lado esquerdo, não tenho mais ninguém a centenas de metros de área verde”, diz. Na outra metade desse pavimento estão a sala de TV, dois quartos com closet e banheiro, a cozinha semi-aberta para a sala de jantar e o lavabo. O superior foi reservado para a intimidade dos proprietários: há apenas o quarto principal, com cerca de 55 m², mais o closet e dois banheiros, e a bela vista do campo de golfe.

SUSPENSA NA MATA

Foi o desejo de se sentir integrado à Mata Atlântica que moveu o arquiteto escocês George Mills, radicado no Brasil há 30 anos, a projetar seu chalé de veraneio no sertão de Camburi, no Litoral Norte, com a forma de um caixote apoiado em colunas de 9 metros. O terreno com 15 mil metros quadrados pertencia a um amigo, que não tirava proveito do espaço por causa da dificuldade de acesso. “Combinamos que eu investiria nas benfeitorias e criaria condições para a construção de algumas casas. Aprovamos o projeto na prefeitura. Fiz a primeira casa e acabei ficando com ela”, conta Mills, que finalizou o projeto em 2011. Com dois pavimentos e 68 m2, a morada de 68 metros quadrados fica a 30 metros de um rio e a 50 metros de outro. A casa suspensa acomoda cozinha, sala, quarto e banheiro; na laje de cobertura, alinhada às copas das árvores, há um solário com churrasqueira. Apesar de adepto do aço, George optou pelo concreto devido a diferença de custos e o maior desempenho do material. “A estrutura de concreto tem baixa manutenção e absorve calor mais lentamente do que a madeira ou o aço”, afirma.

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